De
que és feito depende. Só não sei de quê. Porque de resto depende.
No
âmago mora uma raiz. Que se ramifica prolongando-se insidiosa ou docemente.
Depende. Percorre todos os caminhos vagos, e assim se fazem nascentes todas as
alternativas. E a raiz continua lá no cerne, no âmago, no caroço, no centro
psicogeométrico de ti. Um ramo aqui, outro para acoli. Crescendo espreguiçados
entre o território de que és feito. Construindo estradas.
Depende
onde estás. Porque convence-te: também és onde estás ou seja com quem estás ou
seja com quem te olhas ou seja em que relação estás ou seja tu parcela do
binómio que vive no contexto em que estás ou seja onde de facto estás. Depende,
na realidade.
Onde
estás és. És sempre onde estás onde quer que estejas. Lembra-te. Há uma fibra
particular por entre o cerne da raiz. Talvez ao ladinho do cerne da raiz,
depende. Essa fibra que te serpenteia por todo tu como hélice é, depende, o teu
caminho original. Depende. Principal. Rota prímeva. Como centro e coluna que se
estende para cima e para baixo, inserindo-te brevemente num dos seios da
gravidade ela própria. Linha de caminho, vida, de rota ancestral. O teu eixo.
Eixo encontrado.
E
de que és feito? Perguntas. És feito de carícias tuas e dos outros. São sinais
de reconhecimento da tua existência. Como te reconheces te dás. Como te
reconhecem te dão. Carícias ditas positivas e negativas. São o sumo, a tese do
que és. A síntese és tu. A antítese é a pura indiferença A ausência de tudo e
de si próprio. A invisibilidade do ser humano: está aqui, mas não nomeado não
existe.
E
és feito de subtis fórmulas de amor. Dos ultrasons que povoam as cidades nas
cidades que te rodeiam e que voltam boomerang vão e te abraçam. De químicos que
norteiam as paixões e seus olhares rutilantes. Depende.
Que
gesto acabaste de executar? Este gesto define-te. Revela do que és feito. De
aço mecânico ou flora orgânica. Depende. E contudo o aço e a flora convivem dentro
de ti diluídas numa comunhão que te atravessa até aos tentáculos da raiz. São
raiz. Não filosoficamente ou metaforicamente claro.
Depende
da arte com que desdobras caminhos
De
que és feito? Depende da percentagem de verdade em teu sangue. Quanto maior a
percentagem de verdade mais leve e fluido será teu sangue, mais liberdade e
menos obstáculos para teu sangue correr, te rodear, te encher. Quanto mais
espesso e cheio de escolhos o teu sangue mais comprimidas as vias que te deixam
respirar e ser. Mais espessas serão as solas dos teus pés e mais lento será o
teu arranque.
De
que és feito? O Livro diz barro. Mas depende. Mas se assim for ensopa-te, e
molda-te ao caminho que fazes. Não cabes? Molda-te como queiras ou toma outro
caminho. A raiz não foge de ti e poderás conhecer-te metro a metro.

De que és feito? Depende,....
ResponderEliminarLindo
Lindo!
ResponderEliminarGosto muito. ❤️
ResponderEliminarObrigado a todos.
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