POESIA - O mar assim em dezembro

 


O mar assim em dezembro

encapelado e espirrado

é teu cabelo em rolos

furtando-se nos meus dedos

 

não te deixes tentar

pelo rumor persistente

que te sopra aos ouvidos

porque não é jura de amor

antes hábito suplicante

poder de todos vergar

 

nem te deixes tentar

pelas sobrancelhas ao rubro

do pôr-do-sol

circulares e vermelhas

como lábios beijantes

 

porque o mar não tem rosto

apesar do branco dos dentes

e não tem corpo nem sangue

nem veias nem sorrisos

 

é apenas obsessão

cúmplice do céu azul

que nos domina.

Comentários

  1. Só para dizer para continuares a exercitar a arte de poetizar... gostei imenso de ler este poema.

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