O mar assim em dezembro
encapelado e espirrado
é teu cabelo em rolos
furtando-se nos meus dedos
não te deixes tentar
pelo rumor persistente
que te sopra aos ouvidos
porque não é jura de amor
antes hábito suplicante
poder de todos vergar
nem te deixes tentar
pelas sobrancelhas ao rubro
do pôr-do-sol
circulares e vermelhas
como lábios beijantes
porque o mar não tem rosto
apesar do branco dos dentes
e não tem corpo nem sangue
nem veias nem sorrisos
é apenas obsessão
cúmplice do céu azul
que nos domina.
Só para dizer para continuares a exercitar a arte de poetizar... gostei imenso de ler este poema.
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