O Andaluz e nós - em memória de António Borges Coelho ( e recente memória pessoal)

 



Um poema de Ibne Hafaga

( de Alcira?) viveu entre 1058 e 1138


- no livro de António Borges Coelho

"Portugal na Espanha Árabe",

autor que hoje, 20 de Out. de 2025, faleceu.


Orgia


Quantas noites passámos de mão em mão o vinho vermelho-laranja

enquanto corria uma conversa suave

como a brisa que sopra sobre as rosas.


Retomávamos o vinho sem cessar

enquanto a taça aromatizava com o seu hálito perfumado.

Mas melhores ainda eram os jogos que paravamos para recomeçar.


Os meus aperitivos eram as margaridas da sua boca 

ou o lírio do seu pescoço o narciso dos seus olhos

a roda das suas faces.


Até ao momento em que a embriaguês da taça e o sono

se insinuaram no seu corpo

e o fizeram vergar para o inclinar sobre o meu braço.


Procurava oferecer ao calor que devorava o meu coração

a frescura dos seus incisivos.


Vi que ela se libertara do seu manto

e eu dava o jeito ao sabre que tirava da bainha.


Que doçura no toque que elegância de talhe

que vibração nos flancos que brilho de lâmina.


Ao animá-la eu tasquinava o ramo que cresce no campo arenoso

e beijava a face do Sol quando surge num dia feliz.


Se ela não é o Sol ou o Sol não é ela, então é sua irmã

pois é como se tivessem talhado duas correias da mesma pele.


As minhas duas mãos passeavam pelo seu corpo

ora pela cintura ora pelos seios


enquanto uma descia pelas saliências dos flancos como um Tihama

a outra subia aos seios como para subir ao Nagd.



e ainda: e a propósito: 

o ensejo da beleza de Andaluz

olhada a sua beleza e engenho em fotos

que apresento aqui tambem,

nos azulejos árabes, nos cenários árabes,

geometria, repetição, cor, ambiente.

(fotos pessoais tiradas em Córdoba, Granada e no palácio Alhambra):



 
















































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