CRÓNICA - Dia do Município de Ovar, 25 de Julho






O dia do Município de Ovar começou com a sessão de condecoração de gente relevante do município, condecorações póstumas e presentes. Entre os agraciados esteve a minha irmã Aida pelo seu trabalho como Educadora de Infância em Cortegaça, trabalho de 30 anos justamente reconhecido.
Parece-me de grande importância este reconhecimento de gente do concelho que o enriquece e o faz andar em direção ao excelente. 
Não digo isto pela minha irmã, apesar de achar que a educação é dos ofícios mais nobres e que darão frutos muito importantes no futuro das pessoas e dos municípios. Digo-o pelo reconhecimento desta gente que foi condecorada, desde o teatro, à musica, ao futebol, à tanoaria, à arte xávega, ao atletismo, ao serviço publico na política, que vê o seu esforço e dedicação reconhecidos publicamente.

Foi a minha primeira vez numa cerimónia deste género e fiquei impressionado pela sua solenidade. Nos discursos de abertura, do Presidente da Assembleia Municipal e o do Presidente da Câmara, o seu início começa sempre por dirigir-se aos outros políticos, entidades, padre, militares, pela ordem decrescente de importância, e no final é que são referenciados os cidadãos como minhas senhoras e meus senhores. Impressiona-me que os políticos que temos comecem os discursos num dia comemorativo do município dirigindo-se a eles próprios e não aos próprios munícipes. Afinal o dia do município comemora o município, ou seja os seus cidadãos, que são o município. As câmaras, juntas, assembleias, não são o município, foram escolhidos pelos cidadãos para servirem o município, e fazem parte dele. 
Assim os discursos deveriam começar por caros cidadãos do nosso município, e não Exmo Sr Presidente de ...
Parecia uma homenagem a eles próprios. Não o digo para desvalorizar o seu trabalho ou por inveja, ou por achar que os políticos não devem ser reconhecidos no seu trabalho, acho apenas que seria mais justo e acertado começar pelos cidadãos. Afinal um cidadão que vota e escolhe o político, que através da sua contribuição paga o seu salário, tem direito a ser reconhecido no dia do município tanto como qualquer político.

Será utópico esperar que saúdem o cidadão antes de se saudar a si própio? Não ficaria bem e seria justo? Não é esse reconhecimento primeiro próprio da democracia? O cidadão é menos que o político-cidadão? Eu penso que seria o exercício da democracia em si, a liberdade, a igualdade, a fraternidade.

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