Dia do planeta
Há muito que ouço dizer, por todo o tipo de pessoas, comentadores televisivos, políticos, professores universitários Doutores, que o mundo está cada vez mais complexo. Não sou da mesma opinião, acho que o mundo é complexo como sempre foi.
Acho que o mundo continua a ser feito de gente dominante e dominada, de pobres e ricos, de gente do sistema e de ousiders, e de uma maioria de gente que tenta levar a sua vida com honestidade, trabalho, alegria e amor em família, e solidariedade com os seus da comunidade e do mundo.
Acho que estas pessoas dizem que o mundo é cada vez mais complexo quando quereriam dizer que as ligações e arquitecturas do dinheiro o tornam mais indectetável e labiríntico, e portanto complexo.
Vem a propósito esta crónica pois no dia do planeta sabemos que 2024 foi o ano mais quente de sempre, na terra e no mar, com os correlacionados fenómenos extremos de secas, cheias, incêndios, e semelhantes tragédias. Estimativas destas tragédias dizem que se estimam em cerca de 13.000 milhões de Euros de prejuízos em termos globais. Portugal é dos países mais sujeitos às consequências do aquecimento global.
A seguir a estas constatações vêm as evidentes análises estatísticas e previsões negras quanto ao estado do nosso planeta. E as expressões de alterações climáticas, em vez da verdade do aquecimento global - lembram-se da origem desta expressão soft? Leiam o meu post acerca do filme Vice!
Guimarães no Dia do Planeta
Em Guimarães no Dia do Planeta as escolas sairam à rua em defesa do planeta, do clima, da terra. Quer-se educar as novas gerações para a defesa do planeta e pela sustentabilidade.
Afinal estamos a fazer de conta e a enganar os futuros cidadãos? Não, claro que não. Queremos sensibilizar e motivar os jovens para que no futuro sejam defensores daquilo que hoje nós não somos e vamos deixando degradar inelutavelmente: a defesa da nossa casa. Porque é disto que se trata. Talvez já não seja a minha casa mas certamente será a dos meus filhos e a dos meus netos. Lixamos tudo! Ou melhor: deixamos que uma dúzia de ricos lixem tudo com a nossa anuência silenciosa!
Escusado será dizer que a minha gota eu faço: reciclagem, cuidados com os plásticos e cigarros, compras mais conscientes, etc etc.
Escusado será dizer que o que sinto é que de nada vale a pena, apesar de saber que o oceano seria mais pequeno sem a minha gota.
Alta considerável na acçõe da GALP
No mesmo dia, hoje, no mesmo telejornal, hoje, a notícia é a de que a GALP descobriu poços de petróleo muito promissores na Nabíbia, o que provocou uma alta considerável nas suas acções.
Ou seja, explicando, os combustíveis fósseis continuam como a energia a que temos e bteremos acesso!
Vade retro Satanáss! Acho que se diz assim.
Este alinhamento, esta sequência de notícias, não sendo responsabilidade de uma TV que deve reportar acontecimentos, é contudo testemunha da desordem e complexidade do mundo em que vivemos.
Um alinhamento dos diabos, ou diabólico, ou estrambolico, ou alinhamento que desperta esta consciência de revolta e choque!
Afinal o que choca é mesmo este alinhamento, alheio a uma coerência ideológica ou a qualquer coerência ecológica, mas que acaba por ser o espelho ou reflexo de um noticiar adormecido ou drogado da realidade, um noticiar cego e acrítico da realidade. O que em democracia convenhamos que será o relatar de acontecimentos ponto, sem qualquer verificação dos factos.
A complexidade das conexões do dinheiro e dos paraísos fiscais, dos interesses dos que o detêm na senda de aumentarem o seu dinheiro até ao ponto de não saberem o que fazer com ele; na senda de que todos nós os médios e pobres do mundo sustentem com impostos os governos e políticos que lhes fazem vénias e estendem a mão; dos que se fixam no concurso da tv na esperança de conseguirem 2000€ ou 20000€ pela sorte de um telefonema, sonhando ser como o apresentador, glamour e fama, pobres de nós; a complexidade de cada vez mais as próprias eleições serem manipuladas e pelo menos influenciadas por países externos e os seus interesses; a complexidade do Big Brother previsto pelo escritor George Orwel, no livro 1984, publicado em 1949, que previa uma hegemonia e normalização globais.
A simplicidade de se sentir carneiro de manada!
Ou:
com a irreverência da Mafalda, de Quino, que diz: eu não pertenço à maioria, pertenço à minoria que não pertence à maioria!
E o planeta que se lixe! Isso é só daqui a 50 anos! Entretanto vamos lá fazer dinheiro!
O mundo é muito complexo!
Como dizia Guimarães Rosa na sua obra prima e obra prima da lìngua portuguesa Grande Sertão: Veredas:
viver é coisa muito perigosa!
Fiquem bem e estrubuchem por favor!

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