CRÓNICA - Glifosato aprovado por mais 10 anos na UE

 



Há cerca de 6 anos atrás escrevia para um jornal regional que a utilização do Glifosato tinha sido aprovada na UE por mais 5 anos, com a abstenção de Portugal. Agora vejo no portal Agronegócios que a sua utilização vais ser aprovada na UE por mais 10 anos, com o voto favorável de Portugal,  satisfazendo a CAP - abstenções: Bélgica, Bulgária, Alemanha, França , Malta e Países-Baixos; contra: Austria, Croácia e Luxemburgo; a favor: Chipre, Chéquia, Dinamarca, Estónia,Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Suécia e Espanha.
Numa segunda votação na UE tambem inconclusiva como a primeira há cerca de um mês, segundo este portal de informação agrícola, a decisão fica agora a cargo da Comissão Europeia o que significará a sua aprovação por mais 10 anos.
O glifosato é um pesticida comprovadamente cancerígeno, com graves malefícios para as populações.
Os lobbys europeus trabalharam bem. 

Há cerca de 6 anos escrevia assim:

Soube-se por estes dias que a União Europeia prolongou por mais 5 anos a utilização do glifosato , pesticida químico (por ex o conhecido Roundupe da Monsanto) usado tanto na agricultura como em espaços urbanos , com 65,71% de votos a favor, 32,26% de votos contra e uma abstenção, a de Portugal. Claro que encabeçando os votos a favor esteve a Alemanha, a Inglaterra e os países do Norte dizendo sim à Alemanha, que tem na sua industria grandes grupos químicos globais. Os países do Sul da europa votaram contra, sendo excepção o nosso canto que votou sem votar, lamentavelmente - o lóbi da Bayer, Basf, Monsanto, Pioneer e outras é muito forte e não são os governos que lhe fazem frente. Este lóbi tem gente a percorrer o mundo organizando conferências e contactos com instituições científicas e governantes, com muito dinheiro por trás, para que as leis sejam aprovadas, paga a académicos estudos que lhes sejam favoráveis , para que os media e a opinião pública lhes sejam favoráveis.

Num trabalho de teste que a ONG portuguesa Plataforma Transgénicos Fora e que foi apresentado num programa da RTP1 Linha da Frente em Abril de 2016, esta ONG verificou que a contaminação com glifosato em Portugal é cerca de 20 vezes superior à existente em países como a Alemanha e a Suíça. O facto de a Organização Mundial de Saúde ter revelado que o glifosato causa cancro quando testado em animais de laboratório, e os casos de Linfoma não Hodgkin (o tipo de cancro em que o glifosato está implicado) estarem a aumentar em Portugal, deviam ser razões para proibir este herbicida por completo. Contudo Portugal, lamentavelmente, absteve-se.

Mais uma vez este lóbi global venceu a batalha na Europa por mais 5 anos, esperemos que os últimos. Estas empresas como a Monsanto são gigantes na produção mundial de alimentos transgénicos e de herbicidas vendendo ambos pelo mundo fora. São pouco conhecidas pelo público em geral as suas experiências com sementes transgénicas efectuadas consecutivamente em países como o México (soja Transgénica), o Iraque, a China ( 0 caso do arroz dourado, proibido na Europa), de soja, de arroz, milho e outros cereais, a maior parte das vezes contaminando todos os sistemas ecológicos à sua volta, plantas, águas, causando cancro e doenças genéticas em massa nas populações das zonas, como aconteceu no México com o milho transgénico. Planta-se milho transgénico, altamente resistente e de crescimento rápido, e lança-se herbicida  por cima (também produzido e vendido pelos mesmos), matando tudo à sua volta e contaminando as linhas de água, excepto o próprio milho transgénico. 

As grandes plantações de soja transgénica na América do Sul, nomeadamente na Argentina, para alimentação animal essencialmente, verificam-se depois desastrosas no ambiente e contaminam as outras culturas não transgénicas . A Monsanto patenteou uma forma de criação de suínos com introdução de genes e bactérias humanas para rápido crescimento, tendo como resultado os animais nascerem deformados, sem fígado, sem genitais e anûs, etc. Muitos dos estudos de produtos a lançar no mercado são mantidos no segredo dos deuses, não divulgados, produtos insuficientemente testados e no entanto lançados no mercado.

Não esqueçamos o sucessivo patenteamento que a maior parte destas empresas globais químicas e de biotecnologia vêm fazendo sobre sementes e espécies da nossa biodiversidade que patenteadas terão um dono com nome, não sendo nossa. Há cerca de 2 ou 3 anos houve uma batalha para a patente de uma espécie de pimento por parte de uma empresa, que não foi para a frente: é um exemplo do que nos espera no futuro, ou seja, no futuro mais ou menos próximo quem quiser plantar um tomate ou milho, ou pimento ou outro cereal ou vegetal vai ter que pedir a quem é dono da patente e pagar para o poder fazer. Pedir e pagar pelo que é de todos, a biodiversidade do planeta.

Em Portugal pode observar as plantações do milho transgénico no nosso território, indo ao site da ONG Transgénicos Fora, que apresenta um mapa do país e a localização destas plantações. Em Portugal pode ir ao supermercado e comprar farinha de milho transgénico de uma marca conhecida no mercado. Os alimentos de origem transgénica são por lei obrigatoriamente assinalados como tal, pelo que basta procurar na rotulagem a informação.

Há que estar atento e informado o mais possível acerca destes movimentos globais, apesar da sua grande força e influência, para que o futuro não seja empenhado, e o que é de todos não passe a ser de apenas alguns. Para tal divulga, informa, assina.


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