Num trabalho de teste que a ONG portuguesa Plataforma
Transgénicos Fora e que foi apresentado num programa da RTP1 Linha da Frente em
Abril de 2016, esta ONG verificou que a contaminação com glifosato em Portugal
é cerca de 20 vezes superior à existente em países como a Alemanha e a Suíça.
O facto de a Organização
Mundial de Saúde ter revelado que o glifosato causa cancro quando testado em
animais de laboratório, e os casos de Linfoma não Hodgkin (o tipo de cancro em
que o glifosato está implicado) estarem a aumentar em Portugal, deviam ser
razões para proibir este herbicida por completo. Contudo Portugal,
lamentavelmente, absteve-se.
Mais uma vez este lóbi global venceu a batalha na Europa por
mais 5 anos, esperemos que os últimos. Estas empresas como a Monsanto são
gigantes na produção mundial de alimentos transgénicos e de herbicidas vendendo
ambos pelo mundo fora. São pouco conhecidas pelo público em geral as suas
experiências com sementes transgénicas efectuadas consecutivamente em países
como o México (soja Transgénica), o Iraque, a China ( 0 caso do arroz dourado,
proibido na Europa), de soja, de arroz, milho e outros cereais, a maior parte
das vezes contaminando todos os sistemas ecológicos à sua volta, plantas,
águas, causando cancro e doenças genéticas em massa nas populações das zonas,
como aconteceu no México com o milho transgénico. Planta-se milho transgénico,
altamente resistente e de crescimento rápido, e lança-se herbicida por cima (também produzido e vendido pelos
mesmos), matando tudo à sua volta e contaminando as linhas de água, excepto o
próprio milho transgénico.
As grandes plantações de soja transgénica na América do Sul,
nomeadamente na Argentina, para alimentação animal essencialmente, verificam-se
depois desastrosas no ambiente e contaminam as outras culturas não transgénicas
. A Monsanto patenteou uma forma de criação de suínos com introdução de genes e
bactérias humanas para rápido crescimento, tendo como resultado os animais
nascerem deformados, sem fígado, sem genitais e anûs, etc. Muitos dos estudos
de produtos a lançar no mercado são mantidos no segredo dos deuses, não
divulgados, produtos insuficientemente testados e no entanto lançados no
mercado.
Não esqueçamos o sucessivo patenteamento que a maior parte
destas empresas globais químicas e de biotecnologia vêm fazendo sobre sementes
e espécies da nossa biodiversidade que patenteadas terão um dono com nome, não
sendo nossa. Há cerca de 2 ou 3 anos houve uma batalha para a patente de uma
espécie de pimento por parte de uma empresa, que não foi para a frente: é um
exemplo do que nos espera no futuro, ou seja, no futuro mais ou menos próximo
quem quiser plantar um tomate ou milho, ou pimento ou outro cereal ou vegetal
vai ter que pedir a quem é dono da patente e pagar para o poder fazer. Pedir e
pagar pelo que é de todos, a biodiversidade do planeta.
Em Portugal pode observar as plantações do milho transgénico
no nosso território, indo ao site da ONG Transgénicos Fora, que apresenta um
mapa do país e a localização destas plantações. Em Portugal pode ir ao
supermercado e comprar farinha de milho transgénico de uma marca conhecida no
mercado. Os alimentos de origem transgénica são por lei obrigatoriamente
assinalados como tal, pelo que basta procurar na rotulagem a informação.
Há que estar atento e informado o mais possível acerca destes
movimentos globais, apesar da sua grande força e influência, para que o futuro
não seja empenhado, e o que é de todos não passe a ser de apenas alguns. Para
tal divulga, informa, assina.

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