CRÓNICA - Make love not war

 



O silêncio não apaga a existência da realidade: suspende-a, apenas no tempo.

Diariamente a realidade da guerra e da morte é exibida na tv e sentimos dôr e compaixão por aqueles que vivem a barbárie na sua própria pele.

Estas guerras televisivas, pois as outras não as olhamos, fazem-se murmurar Meu Deus!, e remeter-me para a minha impotência, virar a cara, mudar de canal, suspendê-las, pois não quero estar sujeito permanentemente ao stress que provocam. 

O horror! O horror! Literalmente o coração das trevas, nas trevas.

Não sentem algo negro e culposo estar a jantar e olhar aquela gente a ser bombardeada, a ser transportada para o hospital, em filas para a água, a ouvir o número de mortos?

Não sentem algo tenebroso e nojento estar no sofá e olhar as armas bombardeando, as explosões de fogo, os edifícios cadavéricos, esventrados, as filmagens remotas dos mísseis destruindo um edifício ou quarteirão da cidade, com uma cruz no meio como mira, a sucessão de tanques rolando após o muro de Kms e metros de altura, as explosões de rocketes no ar e no solo?

Não sentem revolta e asco olhando e ouvindo as declarações de políticos e militares na tv, incitando à violência e morte, justificando a morte, falando palavras como "exterminar" "animais" "fim" "vingança" "direito" "defesa" "apagar"?

Eu sinto isto tudo porque sou humano como vós. Vocês também sentem. Todos somos humanos como os que morrem nas guerras, e como os que matam nas guerras. Com a diferença que escolhemos um lado da barreira, fazemos uma escolha, quando podemos. Se não podemos somos aqueles mesmos que vemos a sofrer e a morrer. Ou somos apenas aqueles como agora sou que se senta a comer e olhar o horror sem saber que fazer.

Para que o silêncio não vença! 

Para que a exibição não normalize! 

Para que os verdugos não sejam os justos!

Make love not war!




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