Boletim
Climatológico:(literalmente): 6 de janeiro de 2003: Portugal: nós: cheias
diluvianas novamente: água e mais água: na Europa igualmente: água: cheias e
mais cheias: mortes: nevões de metros na Rússia: em Moscovo continuam a morrer
debaixo da neve em segundo lugar: em primeiro é da vodka: os turistas molham os
pés até aos joelhos em Veneza: os corajosos viajantes: e em Bragança as pessoas
dizem que não se lembram dum Inverno como o de agora: sem geadas: sem neve ou
com pouca: mais quente: os enchidos já não fumam como antes: em Israel e na
Palestina matam-se já não tanto a miúde mas mais intensivamente ou mais por
grosso: na Venezuela os grevistas: o país (quase): param o país: e o seu
ditador vai à tomada de posse do Presidente Lula no Brasil: calmamente: apesar
dos milhões que na sua casa gritam pelos seus direitos: um referendo: justo
incontestável democrático: e em Portugal descobre-se que uma barragem pequena
construída há 1(um!!!) ano estava a ceder às águas: parece que não tem
capacidade de fazer frente a uma média cheia para além de abrir brechas com
ela: betão de segunda: $ em caixa: um pouquito menos em ferro: $ poupado:
alcatrão mediano: os outros também têm de viver: enfim: quando a cheia vier
depois falamos: as manchas de petróleo chegam às costas francesas comprometendo
uma zona com fortes culturas de ostra: a cheia veio: o casco do Prestige estava
que nem miolo de queijo rapado rapado: só um casco: e velho: manutenção custa
dinheiro: primeiro foi a Galiza: agora a costa Norte Francesa: infelizmente:
porque nos afecta a todos para além dos outros: mas pela altura o governo
espanhol tentou rebocar o navio para as costas portuguesas: pelos vistos e por
ironia do destino com o conhecimento não sei se consentimento do governo francês:
e nós portugueses tivemos a sorte do mar e dos ventos: marinheiros
descobridores e profetas: e também temos o azar dos espanhóis e dos franceses
contra nós: e o incrível de tudo é que tudo isto: está à nossa volta: e verdadeiramente notável é a nossa capacidade
de aparente alheamento a tudo: de afinal nos deitarmos esperando pelo amanhã:
dormindo descansadamente: xau: vou dormir: até amanhã: xau:
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