21 de Junho: apanhamos autocarro
que nos levou de Marrakech a Beni-Mellal por dentro da noite: perdemos o
espectáculo diurno da visão do médio Atlas à nossa direita: porra: por vezes
via uma silhueta mais definida da cadeia montanhosa pois afinal saímos à
tardinha: os autocarros em Marrocos são perfeitamente agradáveis especialmente
os da companhia CTM em que viajamos: autocarros de longo curso com ar
condicionado e americanices na tv: dois lugares à nossa frente uma jap sozinha:
reconhecem-se logo: tal como ao longo da viagem vi muita gente a viajar
sozinha; aparentemente sem grandes problemas: nós nunca fomos assaltados ou
vítimas de tentativa: tivemos sempre o cuidado essencial que contrariou alguma
fama dos árabes e marroquinos: afinal que fama?: várias horas de viagem e
chegamos às 3 da manhã a Beni_Mellal: directos ao hotel recomendado pelo amigo
Abdul onde trabalha um seu primo: primo de primo do primo: em Marrocos como em
Portugal os parentescos estendem-se como fios de uma teia de aranha: queríamos desconto
e tratamento VIP: 4 estrelas: Marrocos tem excelentes hotéis por entre
excelentes espeluncas: pânico e desilusão com os preços foi o que se instalou
em nós: após discussão acalorada entre os dois: após termos invocado direitos
filiais mais escusos com Abdul: o recepcionista baixou o preço da estadia por 2
vezes tentando pôr um sorriso na nossa cara céptica: valham-nos os deuses!:
passo a heresia: Sallam:
Beni- Mellal é uma localidade a
meio caminho entre Marrocos e Marrocos: entre Marrakech e Fés: nela constam as
termas de Ain Asserdoun ajardinadas: um oásis no meio da fornalha do Atlas
médio: as termas não têm hotel apenas as instalações de sempre e um café: como
sempre em Marrocos é o bastante pois logo se vê por aqui e acolá gente a vender
e fazer negócio com comida e bebidas brinquedos artesanato: no cimo da colina
um velho e parco castelo de côr de barro olha-nos:
é praticamente impossível beber
uma cerveja geladinha neste país: primeiro porque só em bares de exclusão: ou hotéis
para estrangeiros: mas os bares nesta cidade são como as sex-shops no Porto: um
ou dois: segundo porque a cerveja neste país nunca está verdadeiramente fresca:
apenas refrescada: como laranjada: ou então porque mais simplesmente o calor
neste país é fulminante: país desgraçado!: em todo o caso há que dizer que o sabor
da cerveja marroquina mais consumida: pois até os fieis pecam: é muito
semelhante à portuguesa: de seu nome FLAG-Special é fabricada em Casablanca e é
raquítica no tamanho: aqui em Beni-Mellal emborquei 3 ou 4 num desses bares
tipo botequim do pecado: ex: 1º andar com vidros pintados opacos com decoração
de pub português de há 15 anos: mesas baixas escassas ladeadas por tamborins e
assentos nas frentes das paredes: onde coabitam todos os fracos e pecadores da
região: ex: entra um cliente nitidamente habitual: nada diz a ninguém: vem o
empregado e pousa na sua mesa 3 cervejas e um copo: abre-as todas de seguida:
bebe as 3 enquanto mamo 2: e eu não sou lento nestas coisas: ex: a minha amiga
faz furor ao entrar: uma mulher num bar para além de ser uma heresia é
impróprio e estraga o ambiente: ou anima: segundo cada mortal: mas é
estrangeira: é uma infiel e por isso a surpresa esbate-se: até porque os infiéis
estão com um indígena: de nome Oussama que bebe um sumo: nem mais nem menos:
dois infiéis e um fidelíssimo crente liberal: paisagem tocante: só falta o
cachorro para completar a bucólica cena: Sallam:
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