INVESTIGAÇÃO OVR - Operação Bofetadas

 



Conjunto de azulejos na Ribeira de Ovar



Data: 22 de Maio de 1852

Hora: indeterminada - após o jantar

Local:  Janela do edifício dos Paços do Concelho de Ovar, e espaço à frente dos Paços do Concelho

Presenças: povo da vila de Ovar; banda de música do regimento 6 de infantaria; 

Intervenientes: Rainha de Portugal Dna. Maria II; seus filhos o príncipe Real D. Pedro, futuro Rei D. Pedro V ( na altura com 14 anos), e o Infante D. Luís, futuro Rei D. Luís (na altura com 13 anos); presente ainda o segundo marido da Rainha Dna. Maria II, o prícipe alemão Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha; o Duque de Saldanha; outras testemunhas.


                                                       
                                 D. Maria II                                            




                                                   D. Pedro V



                                                       D. Luís I


Nesta data e local assinalados a Rainha Dna Maria II "houve por bem esbofeteá-los à janela dos Paços do Concelho", aos seus 2 filhos e futuros Reis de Portugal, por eles "dali terem mofado da extravagância destes chapéus" ( dr. Francisco António Pinto, O Despotismo, 1912).

A saber: "o povo da vila com os seus trajes cheios de pitoresco, especialmente as mulheres que usavam na cabeça chapeirões de abas reviradas com travincas e bolas terminais."

Vejamos o que são os chapeirões de abas reviradas de ovar.



Costumes da Murtosa (camponeses e pescadores da Murtosa na romaria do Senhor da Pedra, que se fazia em agosto na praia junto a Gulpilhares/Vila Nova de Gaia). Óleo sobre tela de Francisco José de Resende, Portugal, 1867. Acervo do Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea, Inv. Nº 143, em linha
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=200543


Como pode observar, vemos na pintura um chapeirão de abas largas reviradas típico dos nossos vizinhos da Murtosa, faltando-lhe contudo as travincas e bolas terminais típicas da vila de Ovar. Destes chapeirões não encontramos fotos correspondentes.

Podemos contudo confidenciar que os genuínos chapeirões de abas reviradas com travincas e bolas terminais foram a inspiração directa de chapéus criados no séc XX pela estilista inglesa Vivienne Westwood que tiveram muito sucesso no mundo da moda e entre personalidades da socialite.



Chapeirão de Ovar - Museu de Ovar


Este modelo de chapeirão de Ovar é deveras de um design arrojado e belo. Desde sempre usado e na moda, podemos confidenciar que sempre foi muito visto e usado, e até invejado por outros, nas celebérrimas corridas de cavalos de Ascot-Windsor & Eton na Grã Bretanha, pelas socialites inglesas e de todos o mundo presentes nesse grande evento desportivo e de moda. 

Há quem jure com os dedos cruzados que a princesa Diana terá usado um chapeirão de estilo Ovar nas famosas corridas, provocando invejas profundas nas altas figuras femininas da sociedade, e até de um alto deputado da Câmara dos Comuns, de quem não podemos revelar o nome já que a informação foi-nos passada off-record por uma fonte não autorizada do MI6.

Estamos em condições de avançar, ainda, a intenção, até hoje nunca divulgada, do Prof. Dr. Egas Moniz, nosso vizinho e conhecido, ter-se disponibilizado para fazer uma leucotomia pré-frontal aos futuros Reis de Portugal, após as bofetadas que levaram da sua mãe Dna. Maria II, para atenuar nestes o trauma psicológico destas bofetadas em público. A Rainha, cognominada "A educadora" e também "A boa mãe", recusou a oferta, dizendo na sua voz forte que "bofetadas nunca fizeram mal a ninguém". Concluimos que a Rainha era adepta da educação musculada tanto no ensino como em casa, e que desprezava os efeitos psicológicos de bofetadas em crianças e adolescentes.

Ainda podemos concluir que os futuros Reis de Portugal não tinham sensibilidade para a moda e o mundo da moda, rejeitando o design arrojado e não típico do meio palaciano em que viviam. De facto a sua mãe, a Rainha D. Maria II apesar de mais velha,  tinha uma abertura para a diferença e o design inovador, defendendo os estilistas e as tradições nacionais.


Bibliografia:

-Anais do Município, 1852,  Pedro Alexandre Chaves, secretário da Cãmara

-Monografia de Ovar, Alberto Sousa Lamy, Vol I

-Memória e Datas para a História da Vila de Ovar, 1959, João Frederico Teixeira de Pinho, C.M.Ovar






Comentários

  1. Humor e História, numa bela combinação.

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  2. Concordo com a leitora Isabel Santos... ficamos a conhecer um pouco mais da nossa história regional e de uma forma pitoresca.

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