INVESTIGAÇÃO OVR - 171 anos da visita de D. Maria II a Ovar (22 de Maio de 1852)

 


Conjunto de azulejos na Ribeira de Ovar



Após o último texto de INVESTIGAÇÃO OVR dando conta do episódio das bofetadas protagonizado pela Rainha D. Maria II, é tempo de falar da visita em si, que faz hoje 171 anos.

A Câmara Municipal de Ovar soube da visita através de um Ofício do Governo Civil de Aveiro, que a Rainha iria fazer uma visita às províncias do norte. A Rainha saiu de Lisboa em 15 de Abril, para o Porto, tendo visitado Braga, Barcelos, Guimarães e Viana do Castelo. Do Porto passou por Vila da Feira e depois Ovar.

Logo que a Câmara de Ovar soube que a Rainha cá passava "imediatamente mandou reparar as estradas, nomeadamente o caminho para a Ribeira, e os edifícios públicos, pedindo emprestados 2.375$498 reis a José de Oliveira Vinagre, o Cavilha, rico negociante de vinhos, que cobrou juros de 94$597 reis", tendo tambem comprado um serviço de Vista Alegre para o banquete.

"Nos Paços do Concelho foram armados e mobilados um quarto com duas camas para SS. Majestades, com dois quartos anexos para vestir, um outro igual para SS. Altezas o Prícipe Real D. Pedro e o Infante D. Luís, também com quarto de vestir, seguido de um outro para o Visconde de Carreira, seu Aio."

A 22 de Maio a comitiva entrou em Ovar pela "estrada do Carvoeiro e da Ponte Nova". Recebidos pela câmara de presidência de Manuel Bernardino de Carvalho, dirigiram-se para a igreja onde foi celebrado "um Te Deum pelo abade de Esmoriz e liberal convicto". Seguiram para um jantar nos Paços do Concelho, depois o "beija-mão" e depois  para as janelas para serem vistos e verem o povo, ocasião das bofetadas descritas no texto anterior.

A 23 de Maio, um domingo, foram pelas 8h ouvir missa à capela de Santo António. Passaram ao almoço e pelas 9h o Rei visitou o hospital da vila, "apreciando-o muito por causa da sua frescura e bela perspectiva sobre a parte ocidental da vila, a ria e a praia da torreira". 

"Por volta das nove e meia Suas Majestades e Altezas deixaram os Paços do Concelho, quando 'mais de de doze mil pessoas ocupavam a grande praça e suas avenidas', e partiram para o cais da Ribeira, acompanhados por mais de 6.000 ovarenses, onde embarcaram para a cidade de Aveiro, tendo sido escoltados pela ria pela câmara e por grande cortejo em que todas as classes da vila estavam representados".

"Em cinco barcos seguiram a rainha, a comitiva, os vereadores e algumas pessoas de representação; em oito barcos seguiram os coches do séquito."

Segundo o "diário regenerador portuense O Braz Tisana de 26 de Maio, Ovar dispensara no sábado uma recepção brilhante à rainha. Na viagem pela ria 'foi muito grande número de barcos, que excediam os 1.000, todos ornados de arcos de murta, o que faziam a mais linda vista".


Bibliografia:

-Anais do Município, 1852,  Pedro Alexandre Chaves, secretário da Cãmara

-Monografia de Ovar, Alberto Sousa Lamy, Vol I

-Memória e Datas para a História da Vila de Ovar, 1959, João Frederico Teixeira de Pinho, C.M.Ovar

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