BOLETIM CLIMATOLÓGICO - Antropoceno

 







Em 2000 numa conferência internacional sobre biosfera e geosfera no México, o cientista holandês e prémio Nobel Paul Crutzen, falava pela primeira vez em Antropoceno, publicando em 2002 na revista Nature um artigo que consolidava o termo. Antropoceno como designando a nova era geológica em que a acção humana sobre a Terra superou todas as forças naturais, fazendo sair o sistema terrestre do seu equilíbrio e deslocando-o violentamente numa direcção imprevisível. 

O que esta era geológica tem de particular, é que já não são as mudanças naturais que criaram esta nova era geológica no nosso planeta, como a deriva das placas tectónicas, meteoritos vindos do espaço, idades do gelo, mas a acção humana, a forçarem as mudanças que imprimem aquecimento global, subida dos oceanos, diminuição da camada de ozono, entre outras mudanças com impacto global.

A Organização Mundial da Saúde calcula que sete milhões de mortes anuais no Mundo sejam devidas à respiração de ar saturado de partículas finas. A poluição atmosférica ultrapassou assim a soma das vítimas de sida (1,1 milhões por ano), dos acidentes rodoviários (1,3 milhões), da tuberculose (1,4 milhões) e da diabetes (1,6 milhões).

Entretanto as estatísticas fazem notar que 1 milhão de garrafas de plástico vão para o lixo em cada minuto que passa, chamando a atenção para o tema do momento, o lixo que os oceanos do planeta contêm, cada vez mais e mais nocivo. 

Numa época destas, com tecnologias que permitem andarmos em carros movidos a energia eléctrica, solar e até a água, somos bombardeados pelas notícias de urgente reciclagem do lixo para salvarmos o nosso planeta, enquanto continuamos a viver à custa dos combustíveis fósseis por causa da ganância de uma dúzia de super ricos e pela “estabilidade” do sistema económico mundial. Bastaria reduzir 50% da utilização do petróleo para o impacto ser muito efectivo, da mobilidade aos plásticos.

Por estas e muitas mais razões a ideia de um Ministro do Futuro nos governos parece fazer todo o sentido. Já que os nossos governantes não legislam nem governam tendo no seu horizonte o médio e longo prazo, pois só o curto prazo dá votos para que permaneçam no poder como desejam, então deveria haver alguém que tivesse em conta o futuro dos nossos filhos, netos e bisnetos. Assim as medidas da política que nos governam seriam sempre escrutinadas tendo em conta o futuro dos nossos e da nossa casa/planeta. 


Comentários

  1. Gostei de ler o texto. Aborda um assunto sobre o qual pretendo estar sempre atualizada. E sim, um Ministro do Futuro é um conceito interessante... embora só um (1) Ministro...e onde foste buscar a ideia? É tua? Ou ouviste a alguém?

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