POESIA


 

Kavafis – o velho – aqui

 

 

 

Na centelha da saudade.

-círio pálido bafiento –

arde em mordomia altiva

o dia

- como este minuto de areia

entre os dedos –

o hoje

o viver sanguíneo

carne pulsante.

 

Viver a melancólica saudade

é sofrer cronicamente

do torcicolo

da paranóia

da vasta cegueira

do caminho

 

é errar

no zig-zag da lebre

sem candeia           sem círio      sem lanterna

reaquecendo          requentando

a vida de ontem

perdendo o sabor

da frescura de hoje.

 

Da centelha da saudade

eleva-se agoirento

o fumo

- detrito da luz.

 

O círio só

por agora existe

o fumo só

o vês

olhando atrás.

 

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