CRÓNICA - Beleza

 Beleza


A beleza devia ser disciplina obrigatória no liceu. Fruir o belo é absolutamente terapêutico e unguento extraordinário para o bem estar mental. Expande a paz dentro de nós de tal forma que vai contaminar os que nos rodeiam com beleza, respeito e comunicação.

A beleza caminha lado a lado com a serenidade espiritual e com o sorriso dos lábios discretamente estampado no rosto. A beleza gasta trabalho mas não basta, na sua fórmula alquímica integra simplicidade e autenticidade. Parece que as coisas e as produções e os gestos mais belos tendem para a simplicidade, para a luz, para o límpido. Aproxima-se do que chamamos sublime e enche o nosso espírito de alegria e vigor.

A busca da beleza aproxima-se da busca pelo ideal do eu, pois é no caminho que se vive, é caminhando na busca de algo mais perfeito, mais límpido, mais simples, que todos nos afadigamos ao longo da vida - procurar caminhando, ou como se diz, o caminho faz-se caminhando.

Felizmente para todos há muito de belo no nosso mundo, e no que nos rodeia. Podemos frui-lo na natureza, e em inúmeras produções do homem, na arquitectura, em todas as artes como na música, na literatura, no cinema, nas artes plásticas, na dança, no artesanato, na fotografia, na escultura.

E em algumas pessoas. Há pessoas para quem olhamos e vemos essa beleza no rosto, nos gestos, algo que não sabemos nomear com certeza e que sabemos que vem de dentro, a beleza vem de dentro, exprime-se no corpo da pessoa iluminando-o e como raio vem atingir-nos e fazer-nos sorrir, serenar e dar paz e alegria.

Vemos em Susana Baca a cantar em Esmoriz, num gesto de carinho entre dois amorosos, numa composição de Bach ou de Mozart ou outros, num fado de Amália, em algumas obras plásticas e em algumas fotografias da exposição do museu de Ovar em Cortegaça, no pôr do sol e no crepúsculo visto junto ao mar, no mar verde e na maresia que nos entra nas narinas, no livro “Um copo de cólera” do prémio Camões do brasileiro Raduan Nassar, no filme de Visconti “Morte em Veneza”, no Adagietto da 5ª sinfonia de Gustave Mahler, nos palheiros das praias de Cortegaça e Esmoriz, numa caneca de Rosa Ramalho, em “Amar pelos dois” da Luísa e Salvador Sobral, nos gestos protectores de uma mãe, no abraço de dois amigos que se não encontram há muito, na luz da lua sobre o mar, num poema de Sophia, … tanta beleza nos rodeia!

 

Que bom seria os nossos filhos desde cedo fruírem o belo na escola, e como isso traria mais harmonia e paz à vida de todos nós!


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